Você sabia que a alergia ao leite da
vaca e a intolerância à lactose são dois problemas completamente
diferentes?
Algumas pessoas acabam confundindo um
problema com o outro ao receber o diagnóstico.
A alergia é uma reação do sistema de
defesa do organismo às proteínas, no caso as proteínas do leite (ex: caseína,
alfa-lactoalbumina, beta-lactoglobulina). Portanto, a alergia a proteína
do leite de vaca (APLV) é uma reação às proteínas do leite.
A intolerância a lactose (IL) é decorrente da
dificuldade do organismo em digerir à lactose, açúcar do leite, devido à
diminuição ou da ausência de lactase, enzima que a digere.
Vamos explicar as diferenças para
facilitar o entendimento. Mas não se esqueça que o mais importante é consultar
um médico especializado, só ele poderá dar um diagnóstico e indicar o
tratamento mais adequado.
Alergia:
A alergia alimentar atinge o sistema
imunológico, desencadeando mecanismos de ação contra o antígeno causador, gerando
sinais e sintomas após a ingestão do alimento. Neste caso em especial o agente
causador é encontrado principalmente no leite e seus derivados. O agente
responsável por toda essa reação são proteínas do leite de vaca, tais como a
caseína, -lactoglobulina, -lactoalbumina, soroalbumina, imunoglobulinas.
Embora sejam alimentos construtores e o
organismo tenha a capacidade de digeri-las, as proteínas do leite por vezes não
são reconhecidas pelo sistema imune, provocando assim o desenvolvimento de
alergias. Tal situação passa, então, a ser diagnosticada como alergia à
proteína do leite de vaca (APLV).
É comum acontecer em crianças e bebês
durante a troca do leite materno pelo de vaca. Muitas vezes, o organismo da
criança ainda é frágil demais para se adaptar a esse novo tipo de alimento. O
problema costuma desaparecer entre os três e os cinco anos de idade. Também
pode ocorrer durante a amamentação materna, a mãe consome leite e derivados
passando essas proteínas através do leite materno. Neste caso, a mãe que
amamenta deve seguir uma dieta especial isenta de leite, derivados e alimentos
que possuem as proteínas do leite, sempre sob a orientação de um médico e/ou
nutricionista, não deixando de amamentar, essa fase é muito importante para o
desenvolvimento do bebê.
Os sintomas podem acontecer em diversos
sistemas do corpo, como: digestivo, que inclui sintomas como vômitos,
cólicas, diarreias, dores abdominais, prisão de ventre, presença de sangue nas
fezes e refluxo; cutâneo, que pode cursar com sintomas como: urticária e
dermatite atópica de moderada à grave (podem surgir até mesmo feridas na
pele); respiratório, que pode se apresentar como: asma, chiado e
rinite. Podem ocorrer um ou mais desses sintomas na mesma hora ou dias
após consumir o leite de vaca.
Quem é alérgico à proteína do leite não
pode ingerir o alimento ou seus derivados sob nenhuma forma. Um contato mínimo
já resultaria nas reações que descrevemos acima.
O médico geralmente assimila os
sintomas com a ingestão do alimento suspeito, no caso, o leite. Exames de
sangue (IgE específicos) e cutâneos podem ser solicitados, mas, em alguns
casos, não são capazes de confirmar o problema. O diagnóstico é apenas
confirmado quando o paciente para de ingerir o leite e os sintomas desaparecem.
Após, é feito o Teste de Provocação Oral, que é a reintrodução do leite aos
poucos na presença do médico.
O único tratamento para a alergia ao
leite da vaca consiste em evitar alimentos que contenham leite de vaca e seus
derivados. É importante estar atento ao rótulo de tudo o que for consumir,
visto que diversos produto contém leite. Uma boa opção são as comidas veganas,
visto que não há ingredientes de origem animal, logo não há a presença do
leite.
ATENÇÃO – leite de cabra ou de outros
mamíferos (ovelha, búfala) não são indicados para APLV, pois suas proteínas são
semelhantes às do leite de vaca e podem causar as mesmas reações na criança.
Intolerância:
A intolerância à lactose (IL) é a
incapacidade de absorver a lactose (açúcar do leite). Devido a deficiência ou a
redução dos níveis da enzima lactase no organismo. Essa enzima é responsável
pela quebra da lactose, o açúcar do leite. Assim, o organismo tem dificuldade
em quebrar e digerir essa substância, que é encontrada no leite e em outros
produtos lácteos.
Um estudo realizado no Brasil
demonstrou que mais de 27 milhões de habitantes apresentam má absorção da
lactose, sendo principalmente por determinação genética
Existem três tipos de intolerância à
lactose:
Intolerância à lactose congênita:
acontece quando a pessoa nasce com a intolerância. Apesar de ser raro, pode
ocorrer pela ausência total de lactase no organismo;
Intolerância à lactose primária: ocorre
devido ao avanço da idade. É normal que a nossa capacidade de produzir lactase
vá diminuindo com o passar dos anos, processo que tem início no momento em que
deixamos de ser amamentados;
Intolerância à lactose secundária:
ocorre quando o intestino delgado não produz mais uma quantidade normal de
lactase devido a doenças e ferimentos, o que pode levar a intolerância. A
doença celíaca, a gastroenterite e doença de Crohn são alguns exemplos.
Pode acontecer em qualquer época da
vida, no entanto, é mais comum em adultos e idosos.
Essa condição pode ser temporária ou
persistir durante toda a vida do indivíduo. Não é possível prever, entretanto,
se a intolerância vai durar pouco ou muito tempo, visto que cada organismo tem
suas particularidades.
Normalmente, a intolerância a lactose apresenta
sintomas intestinais, como: cólica, diarreia, gases, distensões abdominais e
sensação de inchaço. Acontecem em minutos ou horas após a ingestão do leite de
vaca.
O médico acompanhará o histórico do
paciente e serão solicitados exames específicos, por meio dos sintomas
associados à ingestão do leite. Entretanto, é importante lembrar que a
intolerância à lactose pode não ser considerada apenas um desequilíbrio no
organismo, mas sim uma consequência de outros desequilíbrios.
Nesse caso, também é necessário cortar
o consumo de leite e seus derivados. Pode-se substituir o alimento pelo leite
de soja. Os alimentos devem ser retirados da dieta de acordo com o grau da
intolerância. Hoje já existem medicamentos que contém a enzima lactase, o que
ajuda a diminuir a intolerância.
Para quem tem intolerância, existem no
mercado opções de queijos, iogurtes e diversos outros na versão sem lactose,
além de outros alimentos que podem substituir os nutrientes.
Atenção:
Lembrando, mais uma vez a importância de
procurar um profissional para avaliação e diagnostico. Além do acompanhamento
com o gastroenterologista, você também pode procurar um nutricionista para
ajudá-lo na dieta.
Referências:
GASPARIN,
F. S. R.; eat al. Alergia à proteína do leite de vaca versus
intolerância à lactose: as diferenças e semelhanças. Saúde e Pesquisa, v. 3, n.
1, 2010.




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Geisa Silva